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A gente se apaixona pela forma como nos tratam

Num primeiro momento, somos atraídos pela pessoa, pela sua aparência, pelos seus gestos, pelo seu sorriso. O belo chama a atenção, em todos os setores das nossas vidas, sejam momentos, sejam objetos, lugares ou pessoas. No entanto, a beleza por si só não é suficiente, caso não esteja acompanhada de conteúdo, daquilo que não vemos, mas que é essencial.

Na verdade, o tempo deixa somente que fique em nós aquilo que nos toca o coração e a alma, de uma forma única e especial, e isso não tem nada a ver com roupas de marca ou olhos azuis. Tanto é que, muitas vezes, com o passar do tempo acabamos por achar bonitas muitas pessoas que de início não nos chamaram a atenção pela sua aparência.

Isso porque o amor é uma coisa de dentro, algo que atravessa o que há por fora, instalando-se dentro de nós, sem avisar, sem ser visto a olho nu. O nosso íntimo é assim mesmo, depende de atitudes, daquilo que sentimos, do que nos fazem sentir, muito para além dos olhos. O que nos toca fundo não é manipulado com os dedos, mas com o carinho, o apoio e a dedicação com que nos tratam, e isso encontra-se além das aparências.

O mais importante, nisso tudo, é sabermos com segurança aquilo que procuramos, bem como o que não queremos para nós. Se estivermos conscientes de que não podemos receber menos do que merecemos, dificilmente traremos para junto de nós quem só suga, quem mente, quem não retribui nada. É preciso ver além do que os olhos enxergam, para perceber o que o outro tem a oferecer, em termos de verdade, de vontade de ser e de estar junto.

Precisamos levar sempre em conta a passagem do tempo, dos anos, que leva embora a rigidez dos músculos, a firmeza da pele, a força da coluna, além de muitos dos sonhos que acabam por não se realizar. Porém, e isto é inegável, aquilo que for verdadeiro, os sentimentos profundos, a amizade, a cumplicidade e a ternura, isso ninguém nos rouba, nem o tempo, nem a morte.

O amor recíproco e intenso, aquele que é sentido além das aparências, resiste e persiste sempre.

Texto de Marcel Camargo

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