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Algumas pessoas não aprendem a valorizar-te nem mesmo depois de te perder

Ela aprendeu que, independentemente da dificuldade, só haviam duas escolhas: ser feliz ou triste. Ela sentia saudade e uma vontade louca de ir atrás. Sentia falta e um medo danado de ser esquecida. Mas, acima de tudo, sentia paz. Vivia em paz. Todo dia esbanjava um sorriso no rosto, e não porque isso tornasse a vida mais fácil, mas porque sabia que não podia dar chance à tristeza de convencê-la a desistir. E, no fim das contas, mesmo sozinha, ela sabia que isso era tudo o que ela precisava. Ela engoliu o choro e aceitou o fim. Não importava o que iria acontecer, depois dele, ela já não era mais a mesma. Ela sorria e o mundo mudava de cor. Ninguém podia imaginar que por detrás de tanta luz havia tido muita dor. O tempo fez dela mais forte e dele mais um.

Ela seguia o seu coração, acima de todas as coisas; por mais errada que estivesse, por mais maluca que parecesse, por mais apaixonada que se fizesse. Ela era intensa, 8 não lhe cabia e transbordava em 80. Gente inteira não consegue dedicar-se aos poucos; é tudo ou nada, mas nunca a metade um do outro. Ela mal cabia dentro de si, quanto mais em outro peito que não lhe desse espaço. Não é fácil abandonar alguém sem deixar um pouco de si na partida. Gente que se dedica demais tende a perder-se em cada parte. Por isso, a sensação de falta. De vazio. Mas é melhor livrar-se do que não te acrescenta do que prender-se a sentimentos falsos.

Tem gente que esqueceu de si para relembrar alguém, que se faz presente na vida de quem já se ausentou. Tem gente que não se permite desapegar. Superar é, sobretudo, uma escolha. Tu precisas reconhecer que o tempo não pode curar um coração que insiste em amar no passado. Dói mais terminar com quem ainda gostamos, é claro. De repente, o mundo nos parece errado, como se sofrêssemos algum tipo de injustiça divina. Mas, por baixo da tristeza, se pudermos reconhecer a nossa paz interior, saberemos que fizemos a escolha certa. E essa é a razão de seguirmos em frente.

As coisas que afetavam a maioria das pessoas pareciam não importar a ela. Se fosse derrubada, não se amargurava. Se caísse, mesmo cambaleante, levantava. Se fosse machucada, perdoava. Nunca foi fácil, mas ela colocava um sorriso no rosto não importava o que viesse. E quando lhe perguntavam se tinha valido a pena não hesitava ao responder que sim. Tinha aprendido muito, crescido bastante, embora ainda escondesse dentro de si cicatrizes latentes. O que te faz feliz pode não ser eterno, mas será inesquecível. Eternidade é só uma coisa que inventamos para evitar o desapego. As coisas duram o tempo que tem que durar.

Ela tinha certeza que não cometeria os mesmos erros, mas faria tudo de novo sem arrependimentos. Por outra pessoa, é claro. Ela sabia que não havia razão para tentar de novo com quem não tinha aprendido a valorizá-la nem mesmo depois de perdê-la.

Texto de Samantha Silvany

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