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Deixa livre quem tu amas

O amor tem as suas próprias leis e se não estivermos dispostos a segui-las dificilmente conseguiremos alcançar a tão sonhada felicidade.

Uma das principais leis do amor diz respeito ao facto de que ele deve ser dado sem esperar nada em troca. Mas quantas pessoas são capazes de continuar a amar alguém sem que sejam correspondidas?

É claro que o ideal do amor é a reciprocidade, mas nem sempre o outro pode dar-nos aquilo que esperamos dele. O ego faz com que sentimentos como a raiva, o ressentimento e o desejo de vingança substituam o amor quando este é contrariado ou deixa de existir por parte do outro.

Mas se estivermos dispostos a mudar esta regra e a guiar-nos por uma dimensão mais elevada do nosso ser, mesmo que o nosso desejo pelo outro seja contrariado, podemos cultivar uma dimensão superior do amor, que consiste em querer o melhor para aquela pessoa, ainda que não seja ao nosso lado. Este é um grande desafio para aqueles que desejam sair vencedores na luta contra a negatividade e o egoísmo.

Outra lei básica do amor é a liberdade. Se tu amas alguém, deixa-o livre, não queiras controlá-lo ou determinar o que ele pode ou não fazer. Este é o caminho mais rápido para afastares quem tu amas.

Quem não consegue amar sem o desejo de controlar o outro, está a infringir outra lei do amor que é a confiança. Sem ela, o amor jamais poderá subsistir, e tornar-se-á cada dia mais frágil.

Outra importante lei do amor é a lealdade. Se eu amo alguém é imprescindível que eu seja leal a essa pessoa, não a desrespeite e não aja de modo a trair o pacto de sinceridade que está implícito em qualquer relacionamento de amor que se estabelece entre duas pessoas.

Para que possamos vivenciar estas leis em toda a sua plenitude, é necessário que as tenhamos plenamente integradas no nosso próprio interior. Caso contrário, seremos presas fáceis de relacionamentos onde a maioria destas leis ou a totalidade delas é desrespeitada por nós ou pelos nossos parceiros, e os sentimentos de medo e insegurança farão com que permaneçamos nestes relacionamentos, negando-nos qualquer chance de experimentar a real, profunda e verdadeira dimensão do amor.

Tu amas uma pessoa e essa pessoa também te ama. Um dia, tu vê-la a ser atraída por uma outra pessoa… Aí a comparação começa. Será que ela te está a deixar? Será que ela encontrou alguém que é melhor que tu? Será que ela encontrou alguém que é mais atraente que tu?

Tu podes não perceber muito claramente, mas é exatamente isto que cria o ciúme: essa ideia que alguém pode ser melhor do que tu, que alguém pode ser mais atraente, que alguém pode atrair o teu parceiro mais do que tu mesmo. Isso cria uma sensação interna de inferioridade e tu começas a sentir ciúme. Tu criarás todos os tipos de obstáculos possíveis para destruir essa possibilidade.

Não ter qualquer ciúme só é possível quando tu te aceitares a ti mesmo tão completamente que não exista mais lugar para qualquer comparação, quando tu não te comparares com mais ninguém. Mesmo se a pessoa que amamos se aproximar de alguma outra pessoa, isso não criará qualquer comparação. É apenas o simples facto de que ela se tornou atraída por aquela pessoa.

Mas isso só é possível quando tu te tornares tão integrado em ti mesmo que tu possas viver sem um namorado(a), que tu possas viver sem estares a ser amado e ainda assim te sentires tão feliz quanto te sentes sendo amado; quando o amor não for mais uma necessidade, mas simplesmente uma alegria. Se tu estás a ser amado, tudo bem. Se tu não estás a ser amado, tudo está perfeitamente bem. Tu não estás atrás disso. Não há qualquer ego carente e tu não fazes disso uma viagem de ego.

Quando o amor não é uma busca, não é uma necessidade, mas sim uma partilha, ele tem uma tremenda beleza. Aí, ninguém estará preocupado se ele vai ou não durar para sempre. Se ele acontecer apenas por este momento já será ótimo.

A ideia de fazer alguma coisa permanente surge apenas porque tu estás movido pela necessidade. Tu estás com medo, essa pessoa deu-te felicidade hoje e, se ela amanhã disser não, tu pensas que ficarás de novo infeliz. Assim, tu procuras dar um jeito para que amanhã ela não possa escapar. Trancas a porta! Mas uma vez que a porta esteja trancada, aquela energia do amor não estará mais presente, porque o amor acontece apenas em liberdade.

Um dia, através da aprendizagem, experimentando muitos relacionamentos, a pessoa torna-se madura. Então o ciúme desaparece. Então tu estarás simplesmente feliz se alguém vier e partilhar a sua energia contigo, ou se ela quiser partilhar com alguma outra pessoa, tu estarás feliz também. Essa é a liberdade individual, tu nada tens a ver com isso. Somente nós somos os mestres de nós mesmos e mais ninguém deve pretender ser o mestre dos outros. Quando a liberdade é deixada intacta, o amor cresce infinitamente.

Texto de Elisabeth Cavalcante

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