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Desculpa, amo-te.

Eu queria dizer-lhe que o amava.
Dizer-lhe:

Olha, desculpa mas amo-te. Aconteceu. 
O meu lado lunático vem ao de cima sempre que me lembro do que não passámos, e das noites que durmo sem ti.
Deixo de ser o que sou por ti.
Começo a ouvir a tua música, a deitar-me às horas a que te deitas, e a acordar a meio da noite sempre que precisares e entenderes. 
Ninguém nos vai dizer que as noites são para dormir.
Defendo-te de tudo, e de todos. 
Torno uma relação imoral, numa história bonita para contar aos nossos futuros filhos.
Hei-de te dar sempre a mão, mesmo quando o caminho for inconstante, e me falte as forças nas pernas.
És maior que eu, mais pesado que eu, mas eu amo-te pelos dois, e uma mulher que ama, luta por dez homens. 
Mudo por ti.
Faço o que quiseres por ti. 
Já te disse hoje que foste a pessoa com que tive mais orgasmos, e nunca estivemos juntos?
Alimentava-te a alma, alimento-te o corpo. 
Traz as malas.
Desculpa, mas amo-te.

Mas nunca lhe disse. Fiquei quieta, e só as paredes da minha casa e os lençóis da minha cama sabem o quanto te quis em dias normais.
O teu sorriso, e o teu discurso pouco certo, estão-me entranhados na pele.
A tua cara assombra-me sempre que me tento deitar no peito de alguém.
Não consigo encontrar encanto nas pessoas que me passam ao lado na rua, nem a quem me sorri na noite.
É que sabes, procuro um bocado de ti em quem se cruza comigo, e tu és tão fora do normal, que me fazes chegar sozinha a casa, todas as noites.
Eu não tenho medo dos barulhos cá de casa, mas a casa sabe a tua voz. E ecoa-a em todo o lado.
No meu quarto e na sala. Às duas da tarde, ou às quatro da manhã.
És louco, e meteste-me a mim mais louca do que já era.
Talvez seja por isso que gosto tanto de ti.
Por ter encontrado alguém que me mostrou que ser diferente é o totoloto numa multidão cheia de gente sem sal.

Queria ter-te dito tanta coisa, mas acabei por nunca te dizer nada.
Tu não me conheces, e eu provavelmente não te conheço assim tão bem quanto penso.
Mas sentir que eras uma parte de mim, por mais pequena que fosse, foi o que me bastou para te tentar encontrar, em todas as esquinas que não nos cruzámos.
Evito olhar-te nos olhos, porque um dia alguém me disse que são o espelho da alma.
E a minha está carregada de momentos, palavras e horas, que não existiram.
Continuas a ser o fantasma mais presente na minha vida, e se nunca estás onde estou, então não sei porque te vejo sempre em mim.
Dispo-me e penso em ti. Todos os dias, me traio com a tua imagem. Foi a forma mais bonita que encontrei, de me lembrar do que não vai acontecer.
Estar contigo no pensamento.
Que o amor nos leve para longe um do outro.

Texto de Inês Alegre

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