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Fica com alguém que te faça agradecer por não ter dado certo com ninguém antes

Nos encontros e desencontros da vida, o que mais precisamos é da certeza de que ali ao lado existe uma pessoa capaz de te reorientar. Uma bússola, um norte, um abrigo, um sossego para chamar de teu. Alguém que independentemente de tudo te defende, te coloca no colo e te prova que não é preciso passar pelas dificuldades sozinho. Uma metade confiante e permanente que não desista de ti.

Fica com aquela pessoa que ainda que a TPM seja insuportável e cheia daquelas crises repentinas, prefira estar ao teu lado. Alguém que simplesmente fica, mesmo que aquela fase difícil na faculdade esteja a atrasar mais do que o previsto cada segundo dos tão esperados momentos a sós. Pois, é preciso estabilidade, mais do que zelo e cuidado, para se conseguir desatar um nó.

Fica com aquela pessoa que não bata a porta ao menor sinal de desordem ou incompatibilidade. Alguém que firma presença nas dúvidas, nos desconfortos, nos abalos sísmicos emocionais e levanta a bandeira do “ei, eu estou aqui para o que der e vier!”, porque é disto que o amor é feito. De gente que fica apesar de um monte de motivos para ir embora. Todo o mundo tem o seu dia de fúria, de irritabilidade, de solidão, de questionamento, de não saber que caminho percorrer. Dependendo da etapa da vida, são fases de desmoronamento que podem durar semanas ou até meses.

Então, não desistas de quem não desistiu de ti. É disso que o universo das parcerias tanto precisa: de gente que fica quando o resto do mundo vai embora. Sê a exceção onde a regra tem sido ingrata. Sê uma doce e singela permanência numa sociedade em que sair pela porta é mais fácil do que respirar fundo, fechar as janelas e esperar o furacão passar. Pois ele passa, e o que fica é o amor, a cumplicidade, a intimidade de quem nos conhece por inteiro, as nossas instabilidades e inconstâncias, e não apenas a nossa melhor versão mascarada e moldada de blush. Porque parecer perfeito é fácil, difícil é esbarrar em alguém capaz de manter a força do abraço mesmo depois que a primeira chuva enxugar todos os disfarces.

Texto de Danielle Daian

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