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Mulher que é mulher tem celulite, homem que é homem não se importa

Não é a primeira e infelizmente não será a última vez que ouvirei essa história de alguma amiga: ela acorda numa bela manhã a sentir-se poderosa, glamorosa. Sai da cama, dá uma voltinha, corre para se trocar e, no caminho para o chuveiro, dá de frente com o causador de um grande problema: o espelho. O objeto que deveria servir apenas para mostrar como ela é incrível, na verdade fá-la encontrar gordurinhas a saltar, estrias e celulite.

De repente um arrepio e pronto, o dia acabou de ir para o inferno.

Ela já sai meio cabisbaixa para o trabalho e parece que o mundo lhe decidiu mostrar, de todas as formas possíveis, a sua falta de gostosura: publicidade de ginásios em todo o lado, o caminho do trabalho parece ter virado uma passerelle, as fotos dos amigos e amigas na praia exibem barrigas esculpidas em mármore e, a cada sinal, a insegurança triplica.

Isso é errado demais.

Um amigo meu definiu essas “imperfeições” (em aspas absolutamente necessárias) como “a vida”. Todo o mundo tem celulite. Todo o mundo tem estrias. E se tu te sentes acima do peso, outra pessoa sente-se abaixo. Se alguém acha que é alto demais, outra pessoa pensa que é muito baixa. Uma mulher pensa que tem seios pequenos. Um homem perde noites de sono a pensar que o seu coiso é pequeno.

Dia após dia, ano após ano, somos bombardeados com estereótipos de beleza que só prejudicam, mais e mais, a maneira como olhamos para outras pessoas – e nos vemos na frente do espelho. Isso afeta, consequentemente, a nossa relação com o outro – e com nós mesmos.

Uma mulher infeliz com o seu corpo não conseguirá ser feliz, e um homem obcecado por esses padrões de beleza feminina nunca irá enxergar a beleza de verdade – estará a guiar-se apenas por aquilo que lhe foi imposto, aquilo que lhe mandaram achar bonito.

Atração é muito mais que um peito ou uma bunda, amigo.

Olha para ela inteira. Olha esse sorriso que ela dá quando te vê – seja ela tua namorada ou a tua mais recente conquista. Olha a forma como ela acorda, toda desarrumada, mas linda. Olha para esse amontoado de curvas ou retas que vão receber-te como nenhum outro corpo. A beleza real precisa de mais do que uma olhada rápida para ser realmente vista.

Aceita a tua celulite, as tuas gordurinhas ou o que quer que seja. Aceita isso porque faz parte de ti, e alguém que não te quer por inteira não deve ter nenhum pedaço teu. Mais importante: se quiseres mudar, muda por ti, não pelo que os outros te dizem – sejam os outros teus conhecidos ou a TV. Se não te sentires feliz por quem és, seja lá como fores, irás esconder tudo o que tens de bonito em ti. Entre quatro paredes a autoconfiança é muito mais excitante do que uma barriga lisinha ou um par torneado de coxas.

Texto de Lucas Baranyi

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