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Não compreendo o amor, mas sei que gosto de ti

Não percebo o amor. Não percebo porque é que escolhemos sempre amar quem não nos ama de volta enquanto desprezamos aqueles que nos amam incondicionalmente.

Não percebo porque é que amamos tanto alguém que ao invés de nos fazer sorrir só nos traz lágrimas. Não percebo porque é que o amor nos faz tão estúpidos e confusos. Ele transforma-nos. E se antes nós nos conhecíamos, quando estamos apaixonados é como se não soubéssemos mais nada sobre nós. Temos atitudes que nunca pensámos ter, fazemos aquilo que jurámos nunca fazer e, mesmo sabendo que isso só nos magoa, continuamos a amar. E amamos incondicionalmente. Sabemos o quanto um amor não correspondido dói e continuamos a ferir aqueles que nos amam em prol daqueles que não nos querem. Acho que isto significa que o amor é um ciclo, certo? Alguém magoa-te e tu choras enquanto, ao mesmo tempo, tu magoas alguém que chora por ti. E assim se vai vivendo a vida, todos desencontrados e todos a sofrer por quem não nos quer. Mas eu sei que um dia tudo muda. Acredito que um dia todos encontramos a nossa sintonia. É como se vivêssemos uma vida inteira à procura do significado da palavra “amor” e todos os dicionários estivessem errados até encontrarmos um com a definição certa.

Acabei de encontrar-te. Não sei se és o significado certo ou se és só mais alguém que veio para me fazer chorar. Mas a verdade é que, agora, és tudo o que eu quero. A definição de amor que veio contigo mostra-me felicidade, vontade de te ter o tempo inteiro e de te prender no meu peito para sempre. Não sei se é certo ou não, não sei se sentes o mesmo ou se estás a pensar no mesmo que eu neste momento. Mas o que é que isso interessa? Por mais que queira não te amar não vou conseguir, não é? Não é sempre assim? Toda a gente diz que o amor é uma “merda”. Bem, eu não penso dessa forma. O amor dói, é verdade. O amor dilacera e torna-nos fracos. Mas também é a melhor coisa do mundo. É a melhor coisa do mundo porque traz-nos alguém que nos marca para a vida. Alguém que nos mostra que os dias maus melhoram com um simples sorriso e que a chuva não importa se estivermos em casa a ver um filme enroscados num cobertor. O amor faz-nos amar o que sempre odiámos. Se eu detestar lasanha eu vou passar a amá-la por ser o teu prato favorito. Se eu não gostar de azul, vou começar a habituar-me a ele porque é a cor que mais gostas. Se eu não me interessar por política, vou preocupar-me em perceber para poder partilhar das tuas conversas. Tudo por ti. Por ti e por mim. Porque um amor se vive a dois.

É tão difícil dizer “gosto de ti”. É tão difícil mostrar que se ama. Não penses que não o faço pelo amor que sinto por ti não ser suficiente, porque não é verdade. É simplesmente por medo. Medo de voltar a chorar, de voltar a sofrer e não me conseguir levantar mais. Desculpa. Desculpa se às vezes não tenho coragem de lutar o suficiente. Desculpa se te provoco confusão por não saberes se eu te quero ou não. Mas acredita que é exatamente por te querer demais que eu fujo. Se não me quero magoar, muito menos te quero magoar a ti. Porque o amor é isso: é pormos as necessidades do outro ao par das nossas. E eu gosto de ti. Sinto-o com todo o coração. E vivo-o com toda a intensidade.

Texto de Cátia Barbosa

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