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Neste dia da mulher, oferece respeito de presente

Dia 8 de março. Quando as mulheres recebem rosas, beijos matinais, presentes, e são parabenizadas, como se só naquele dia o mundo se desse conta do quão incrível (e por vezes difícil) é ser mulher.

Deixando os clichês de lado – do tipo: dia da mulher são todos os dias! – tenho uma lista de conselhos para homens que realmente querem agradar neste oito de março. Não agradar só as suas respectivas esposas, namoradas, mães, tias e avós, mas agradar a todas as mulheres que fazem jus a este dia. Se tu não estás interessado em fazer as mulheres mais felizes nem conscientalizares-te do seu papel, pára por aqui. A sério. Apenas desliga o computador e vai até à florista, a pensar que estás a cumprir o teu papel. Espero, honestamente, que em algum oito de março, mesmo que distante, ninguém precise ler esta lista , que – céus! – nem eu mesma acredito que precisei escrevê-la:

Respeita a mulher que tens ao teu lado – Esquece o estigma de machão-engatador e concentra-te na mulher que tu escolheste. Respeitares a tua mulher não é apenas não traí-la: é respeitar o seu espaço e as suas decisões, é estar consciente de que ela é dona de si mesma – logo, tem o direito de escolher as próprias roupas, os próprios amigos e a própria rotina.

Não julgues uma mulher pela sua roupa – Garanto que nenhuma mulher nunca te chamou de “fácil” porque tu estavas sem camisa. O juízo de uma mulher não depende da roupa que ela veste. Lembra-te disso da próxima vez que vires uma mulher com um vestido justo e um decote matador.

Conscientaliza-te de que as tarefas domésticas são para ambos – e pára de deixá-las exclusivamente para as mulheres da tua vida (esposa, mãe, irmã…). Tu és responsável pela organização do teu espaço, da tua roupa e dos teus pertences. Tu não tens que “ajudar em casa”, tu tens que fazer a tua parte. Afinal, tu também moras lá, não é?

Esquece os estereótipos – do tipo: “mulheres conduzem mal”, “mulheres têm que saber cozinhar”, “mulheres são feministas só até chegar a conta para pagar”, entre muitos outros clichês (e são muitos mesmo). Aliás, se tu usas qualquer uma destas frases com alguma frequência, a maioria das mulheres têm preguiça de ti.

Não te surpreendas da próxima vez que ela tomar a iniciativa – nenhuma mulher é menos digna por gostar de sexo. Elas podem não apenas querer, como procurar. Podemos andar com preservativo na bolsa ou mandar um piropo na discoteca. É o nosso corpo, a nossa sexualidade, um problema nosso. Quanto mais cedo tu entenderes isso, mais homem te tornarás.

Aprende que não existem “coisas de mulher” – em que momento passou-se a dividir todas as coisas entre “de mulher” e “de homem”? Nós compreendemos que tu aprendeste isso desde criança, quando o teu quarto era azul e o da tua amiguinha era cor-de-rosa, mas esquece. Futebol, tatuagens grandes, motas, velocidade, lutas (etc) não são “coisas de homem”, são coisas de quem gostar, independente do que se tenha no meio das pernas.

Não nos classifiques entre “mulher para casar” e “mulher para comer” – uma mulher pode ser “para casar e para comer” ao mesmo tempo, ou nenhuma das duas coisas, assim como um homem.

Não dites regras sobre a nossa forma física – e deixa-nos ser como queremos ser. Uma coisa é ter uma preferência de tipo físico – magras, naturais, gordinhas, atléticas – e outra é julgar todas as mulheres que não se encaixem no teu padrão. Faz as tuas escolhas e guarda-as para ti.

Eu podia, lamentavelmente, enumerar diversos outros conselhos para homens, mas ninguém teria paciência para ler. O machismo é extenso demais. Por isso, vou resumir num conselho simples para quem resistiu bravamente e chegou até aqui: Nós não queremos rosas e chocolate. Queremos respeito.

Por Nathalí Macedo
(via Entenda os Homens).

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