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O lugar da mulher

Eu sou mulher, mas não tenho um bumbum enorme nem coxas sem celulite. Eu sou mulher, mas não sirvo para embelezar estádios, não sirvo para ser candidata a miss da claque de futebol nem para aparecer em anúncios de cerveja. A minha sensualidade não pode ser vendida como atrativo porque ela está na minha inteligência. Não é a minha arquitetura que me define, mas sim a minha biblioteca. Sou mulher, mas a minha existência não gira em redor da aprovação e da satisfação sexual masculina. Não deixo o mundo mais bonito quando uso uma roupa justa e sim quando falo, quando escrevo e quando trabalho.

Não vou negar que fico feliz quando alguém generosamente me acha bonita. Mas sei que a beleza um dia será levada pelo tempo e, por isso, pouco restará. Portanto, se me alegro quando elogiam o corpo, contento-me ainda mais quando enaltecem o que produzo intelectualmente.

Sou uma mulher madura porque aprendi a rir do que antes me fazia querer ficar fechada no quarto a chorar. Sou delicada, não como um jarro de vidro, mas sim como as manhãs: expulso a escuridão não somente ao colocar um salto alto e um vestido estampado de vez em quando, mas também – e principalmente – quando abro um livro ou a minha mente.

Sou dona de mim e rainha do meu castelo. Sou o pássaro que canta, não para comunicar mas para permitir a primavera. Estou, paradoxalmente, cada vez mais presa aos que me libertam. O meu corpo carrega a história de tantas outras mulheres.

O meu tempo é hoje e ele não se mede por números. Mede-se pelas explosões e pela intensidade e complexidade dos momentos que vivi.

Eu sou mulher. E o meu lugar é onde eu quiser.

Texto de Elika Takimoto

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