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O que eu te posso oferecer.

Não é grande coisa, mas talvez te sirva.

Não te posso oferecer um milhão de certezas. Porque, sabes como é, todo o dia é uma novidade. Plutão era planeta, deixou de ser planeta, virou planeta anão. Descobriram até um planetinha que chamaram de Makemake. Se Makemake virou nome de planeta então nós podemos virar cada coisa que nós nem imaginamos. Acho que nós nem precisamos de tantas certezas. Mas uma eu dou-te: eu nunca vou deixar que astrónomo nenhum mude o teu nome, porque eu gosto de dizê-lo em voz alta e lembrar-me que te tenho comigo.

Oferecer-te o maior amor do mundo também acho que não consigo. Porque realmente não sei se te amo mais do que um italiano ama a primeira garfada do seu spaghetti. Nem sei se te amo mais do que uma ave ama aquela parte do voo em que ela pára de bater asas e desliza no ar. Mas posso oferecer-te um amor leve como o voo dos pássaros e bom como spaghetti quente em noite fria. Isso eu garanto.

Presentes incríveis, eu bem que tentaria oferecer-te. Mas não sei se daria muito certo. Dizem que a Angelina Jolie deu ao Brad Pitt uma árvore de 15 mil euros. E que a Katy Perry deu a um namorado uma viagem ao espaço de 150 mil euros. Eu não tenho esse dinheiro. E se tivesse, desculpa a sinceridade, mas não gastaria numa coisa dessas para ti. Os meus parentes precisam de ajuda e eu queria trocar de carro. Mas ofereço-te de presente as minhas noites de sexta, as minhas tardes de sábado e manhãs de domingo. São os meus grandes tesouros.

Não te posso oferecer uma visão divinal. Nunca tive medidas para mandar um book fotográfico para agências de modelo. Não acordo com cabelos parecidos com os que fui dormir – que já não são grande coisa. E gosto muito de pijamas de algodão. Desculpa. Mas ofereço-te a minha cara lavada depois de sairmos do mar no final de semana, com os olhos apertadinhos por causa da luz do sol e um beijo salgado antes de nos deitarmos de novo na toalha de praia.

Não sei se te consigo oferecer o melhor de mim. Acho que porque nunca consegui situar muito bem o que é isso. A minha mãe sempre disse que eu tenho os olhos lindos, mas eu por exemplo nunca os achei nada demais. Também não sei se o melhor de mim é a minha habilidade de fazer trocadilhos e piadas ruins, mas algumas pessoas acham graça. Não sei.

Mas ofereço-te, sim, o melhor que posso ser. A minha capacidade de te tentar resgatar quando tu estás de baixo astral. Cafunés em diversas horas do dia. O cheiro do meu cabelo depois do banho. O carregador do meu telemóvel, mesmo que o meu não tenha chegado a 90%. Os meus óculos emprestados, se um dia tu também tiveres astigmatismo.

Não te ofereço muito. Mas ofereço-te o meu tempo, o melhor do meu humor, a minha vontade imensa de ser feliz na vida e de caminhar ao teu lado todo o santo dia. Pode ser?

Texto de Ruth Manus

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