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O teu amor próprio de volta

Ei menina. Tu mesma. Que manténs a luz do quarto acesa para não te sentires sozinha. Hoje, mais uma vez, ele respondeu ao teu “olá” com um “adeus.” Eu sei. Depois dessa resposta, fica difícil acordar. Tu não consegues sair da cama. Ficas presa entre a dúvida e a culpa. Começas a engasgar com as próprias lágrimas. Levanta-te, levanta-te, levanta-te.

Chega de borrar o rímel, por alguém que não sabe amar ninguém. Levanta, levanta, levanta. Coloca um salto, e um sorriso no rosto. Tu não podes deixar o teu destino na mão do outro. Chega desses jogos sem sentido. Onde o “eu te amo” que tu ouves soa tão falso, que deixa o teu coração em pedaços.

Ele não vai mudar. Ele só quer mais uma. É isso que tu queres ser? Uma no meio de várias? Não, certo? Pega nas tuas coisas e sai, há um mundo enorme lá fora à tua espera. Eu não sei se tu sabes. Então, eu vou dizer-te: A verdade é dura, mas é a mentira que magoa. Levanta, levanta, levanta.

Quando eu te conheci, tu eras leve e alegre. Onde está agora aquela menina, que sorria para si mesma? Aquela menina, sonhadora e radiante? Eu quero-a de volta. Chega mais perto para eu beijar as tuas lágrimas e dizer baixinho ao teu ouvido: “Vai ficar tudo bem.”

Eu podia ficar aqui para sempre. A abraçar-te desta forma. Mas eu e tu, precisamos de nos levantar e seguir em frente. Antes de ir, gostaria de escrever um recado na parede do teu quarto: “Tu não podes deixar um homem qualquer destruir quem tu és.” Levanta, levanta, levanta.

E encontra um homem que te faça sentir, mesmo no escuro, que tu não estás sozinha neste mundo.

Texto de Ique Carvalho

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