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Porque ninguém vale mais do que a tua paz.

Garganta fechada, estômago embrulhado, mãos suadas, falta de apetite, insónia. Um médico ficaria preocupado com tais sintomas, afinal, pode ser uma nova gripe, um novo vírus. E é. De certa forma. Ah, o poder de um telefonema não atendido, de um SMS não respondido, de um sorriso não correspondido.

É devastador. Pessoas convivem com essa bomba relógio diariamente, esse tic tac que não te abandona nem num concerto barulhento. E por mais humano e natural que seja ficar nervoso, de vez em quando, é preciso lembrar que essa adrenalina, essa fogueira na barriga, em algum momento precisa de se apagar.

A vida é cheia de pessoas. E ser pessoa é assim mesmo, relacionar-se. Nós começamos desde cedo a ter contato, a depender do outro. Quando somos crianças, passamos de mão em mão, sem saber andar. Os nossos primeiros sons são emitidos na ânsia de dizer algo. Porque queremos sempre dizer algo a alguém. E esperamos, em troca, uma resposta. Qualquer que seja. Mas não somos preparados para sermos ignorados. Não somos instruídos a encarar o nosso próprio silêncio, a olharmo-nos de cara lavada no espelho do banheiro às 3 da manhã. E, principalmente, não somos ensinados a ser autossuficientes.

Que fique claro, de antemão, que ser autossuficiente não se trata de não contar com ninguém. Não se trata de ser sozinho. Mas sim de, se for o caso, conseguir viver sozinho, em paz. Que seja possível continuar a vida mesmo após ser ignorado, chutado, trocado. É assim mesmo, tudo passa no final das contas. E, por mais cliché que possa parecer, a vida traz sempre algo melhor depois.

Nada é insubstituível. Nada é maior do que a tua paz, do que a tua satisfação contigo mesmo. E se alguém está a tirar o teu sono, a tua fome, a tua energia, aproveita essa “tiração” de coisas e tira essa pessoa da tua vida. Não vale a pena sofrer. É óbvio que a gente sofre, chora, é inevitável. Mas não te permitas passar muito tempo assim. Não é certo olhar para trás e lembrar-se somente dos momentos de dor. Não é certo que uma pessoa tenha importância tal na tua vida, que uma ligação não atendida faça com que tu percas todo o teu dia. O teu bem estar agradece, e o teu coração também.

Então tira o dia para fazer o que tu gostas, para te conheceres melhor. Toma um banho quente, passa aquela loção cheirosa no corpo, veste aquela roupa leve e que te faz sentir bem, desliga o telemóvel e sai. Permite-te ficar só, a ouvir os sons da cidade, vai para um lugar remoto, admira a paisagem e contempla o mundo, contempla a tua paz. Olha para a imensidão e vê-te como só mais um ponto nesse universo gigantesco. Depois de te localizares, olha para a tua dor como sendo menor do que tu e, se tu és pequeno perto do mundo, então imagina a tua dor. Então tu vais ver que nada é assim tão angustiante.

Depois levanta-te e experimenta sentares-te numa mesa de bar, ou numa cafetaria, sem ninguém. Experimenta pegares no cardápio e poder escolher o que quiseres, sem te preocupares com o tempo para analisar as possibilidades. Ninguém vai estar à espera das tuas escolhas. Só depende de ti. Com calma, degusta o que pedires. Sente os sabores. Sem olhar para o relógio, sem te preocupares com a hora marcada. O teu compromisso maior tem de ser sempre contigo. A paz interior é o bem mais precioso que alguém pode cultivar. E por mais que o mundo seja cheio de estímulos, às vezes, é preciso desacelerar. Deixa essa bomba de anseios, medos e carências que está a morar em ti explodir de uma vez só. E verás nascer um novo “eu”, cheio de paz.

Texto de Nataly Lima

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