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Quando duas pessoas devem ficar juntas, elas ficam.

O filme “O Despertar da Mente” (2004) ilustra muito bem como os encontros e desencontros conduzem-nos até pessoas que, muitas vezes, desejamos expulsar das nossas vidas, mas são exatamente aquelas que devem ficar.

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“O Despertar da Mente” está longe de ser o filme mais incrível de todos os tempos. Conta a história de Joel e Clementine que, apesar de terem um relacionamento muito intenso, acabam por se separar.

Até que, certo dia, Joel descobre que Clementine utilizou um serviço incomum capaz de apagar parte da sua memória. Com isso, ela apaga todas as suas lembranças com Joel, não se lembrando mais de quem ele era ou que tinham tido um relacionamento. Revoltado com essa atitude, Joel decide também apagá-la da sua memória.

A maior parte do filme gira em torno das lembranças de Joel com Clementine a ser apagadas. O problema é que, no meio no procedimento, Joel quer desistir e continuar a lembrar-se dela. Apesar de tentar algumas artimanhas, ele acorda no dia seguinte sem se lembrar de absolutamente nada em relação à Clementine.

A parte mais intrigante do filme, na minha opinião, é o final, quando finalmente o espectador entende o início do filme. Nas primeiras cenas, aparecem Joel e Clementine a conhecerem-se numa estação de comboios e a interpretação mais provável é de que foi ali que começou o relacionamento deles. Só no final é possível darmo-nos conta de que aquela é a segunda vez que eles se encontram pela primeira vez.

A mensagem mais interessante que pode ser extraída do filme não é a de que devemos aprender a lidar com lembranças más, como o fim de um relacionamento, mas de que quando duas pessoas devem ficar juntas, a vida simplesmente vai dar um jeito de elas ficarem juntas. Tanto Joel como Clementine decidiram apagar as suas memórias, mas isso não foi o suficiente para evitar que se reencontrassem. A vida, de uma forma inusitada, fez com que se encontrassem de novo e, mais uma vez, se apaixonassem.

Não se lembravam mais das coisas que incomodavam um no outro, nem das brigas, ou o motivo do fim da relação. A única coisa que sabiam é que gostavam um do outro e isso parecia ser o suficiente. Eles estavam a conhecer-se como se já não se conhecessem o suficiente. Estavam a apaixonar-se como se já não fossem apaixonados.

Bem, na vida real isso não é possível, mas eu garanto que assim como foi com Joel e Clementine, quando duas pessoas devem ficar juntas, não há nada que as separe. A vida é repleta de encontros e desencontros, mas quem tem que ficar, uma hora volta. Aliás, isso é o que chamam de destino por aí… Então, respira, porque tudo o que tiver que ficar ao teu lado, vai ficar. Isso ninguém te tira.

Texto de Bruna Cosenza

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