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Também há amor em estar só.

Há muita gente que diz que, para haver amor, é necessário ter alguém para amar, alguém com quem partilhar experiências, mesmo que platónicas ou delirantes, dessas que costumamos cultivar na adolescência.

A gente acredita nisso como se fosse um facto sobre o qual não há motivos para questionar, e então a gente ignora que, talvez, o amor seja possível também na solidão.

E porque não? Sei que é bem verdade que a maioria das pessoas idealiza alguém para namorar, andar de mãos dadas por aí, trocar carícias nas mesas de bares em bairros boémios na madrugada, exaltar alguns sorrisos sinceros e cheios de sentimento… Mas também sei que a solidão é uma forma de liberdade.

A liberdade de amar-se a si mesmo, de fazer das suas ações atitudes belas e valiosas e só precisar do seu próprio reconhecimento, de ser alguém especial sem precisar dos outros a dizer-nos que nós somos isto ou aquilo. Exercer a liberdade solitária é deixar o amor próprio tomar conta.

E amor próprio é amor puro. É levar-se a sério no mundo, respeitar as próprias limitações, aceitar os seus próprios defeitos e reconhecer as próprias qualidades. Amar-se na solidão é ser livre, pois ser livre, num mundo cada vez mais carente de atenção, é praticar e enfrentar a verdadeira solidão, sem medo de ser tomado pelo desespero e a constante carência de companhia. Amar-se na solidão é, acima de tudo, colocar-se a si mesmo no colo.

Estar só é ter a chance de lidar com o facto de que nem sempre tu vais ter alguém para abraçar, mesmo quando mais precisares e a vida não estiver a correr como tu desejarias. A pessoa que mais precisa de ti és tu mesmo. Quando tu estiveres só, reconhece esse momento, aceita-o. Também há amor na solidão.

Texto de Alysson Augusto

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