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Um dia alguém vai aparecer na tua vida e fazer-te entender porque é que estiveste sozinho até agora.

Há quem diga que estar solteiro não é sinónimo de solidão. É verdade, tu não precisas de outra pessoa para ser feliz, pois a felicidade está dentro de ti; nos teus projetos e nas tuas conquistas, na tua saúde e na tua família. Por outro lado, já ouvi gente feliz dizer que gostaria de ter alguém, um amor para partilhar a vida e os sonhos. E explicam que estão sozinhos por falta de opção, porque está cada vez mais difícil encontrar alguém que esteja disposto ao amor e ao relacionamento.

Excetuando os solteiros convictos, aquelas pessoas que escolheram não ter um compromisso com alguém, os sozinhos que ainda não encontraram o seu par costumam sentir uma certa confusão quando a tristeza lhes invade. E quanto mais tempo passa, o amor torna-se uma decepção.

O problema é que a desilusão fecha as portas para as novas possibilidades. Ao fim do dia, acostumado a voltar sozinho para casa, para a tua cama onde não há risos nem vozes, apenas o silêncio de estrelas distantes, tu acomodas-te. E também te questionas “O que eu tenho de errado?”.

Tu perdes o sono, perdes o tempo que poderias aproveitar enquanto te afogas em dúvidas. A tua página em branco espera-te, mas tu hesitas. É… dá medo.

Vê só. O amor requer coragem e disposição. Amar é ousadia. Se tu não estiveres disposto a fazer um relacionamento dar certo, pode ser que ele nem comece.

Por outro lado, ao conhecer alguém interessante, se tu fores com muita sede ao pote, acabas por sufocar aquele que não consegue administrar as tuas expectativas e a tua carência afetiva. Por isso, precisas deixar as coisas acontecerem naturalmente.

Pode parecer paradoxal, mas o enlaço entre duas pessoas precisa vir do desprendimento delas, de uma independência dos dois, mas sem individualismo. Porque no mundo cada vez mais individualista em que vivemos, onde estamos a perder-nos uns dos outros e até mesmo dos nossos próprios anseios, estamos a acostumar-nos a relações superficiais e rápidas, que camuflam a essência do amor. Estamos até a correr o risco de desistir de amar.

É certo que essa maturidade exige esforço e compreensão. E por mais que tu queiras ter a companhia de alguém, tu também já sabes o que não queres. Não te permitas entregar a alguém que não ouve os teus desejos e não se interessa pela tua vida, e que não ri contigo das loucuras que tu pensas. O que tu procuras é alguém que te impulsione para a frente, alguém por quem valha a pena deixar de ser solteiro.

Enquanto isso, tu dedicas-te ao trabalho e às viagens que desejas fazer. Lê poemas, mesmo sem os entender totalmente. Procura olhar nos olhos mais vezes. Faz exercícios físicos regularmente. Pratica a paciência. Pratica a paciência outra vez. Cuida do teu animal de estimação. Ri até chorar. Depois chora até o peito parar de doer.

Salva o teu coração. Não há nada de errado contigo. Também não há nada de errado em querer alguém que sinta a simplicidade da vida nas entrelinhas, um ser imperfeito como tu e que desperte em ti a vontade de ser uma pessoa melhor a cada dia.

Não tem problema se outras pessoas não entendem porque é que tu és seletivo. Desde que a seletividade não te impeça de perceber que o amor é possível. Confia nas tuas escolhas. Sê espontâneo. Conversa com as estrelas quando elas forem as únicas a fazerem-te companhia.

Um dia tu saberás… Um dia alguém vai aparecer na tua vida e vai fazer-te entender porque é que tu estiveste sozinho até agora.

Texto de Rebeca Bedone

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