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Não me venhas com meios termos

Não me venhas com meias palavras, nem com frases inacabadas, metáforas mal formadas, nem piadas sem graça. Não me tragas meios beijos, meios abraços, meio carinho. Traz-me antes beijos profundos, longos abraços e a incerteza de que nada mais certo existe de não estar certa de nada, muito menos de ti.

Não me recites meios versos, nem tragas só metade de ti. Vem inteiro e dá-me a poesia que eu imaginei que fosse. Não me venhas com meios compassos, meias canções e meios encontros. Se queres vir vem e pronto, vem com tudo o que tens, com a tua firmeza corporal. Quero que venhas, nem que sejam só aqueles meros minutos, aquelas meras horas que não passarão a ser mais nada. Mas quero-as inteiras, não me seduzas por metade. Não me ofereças meio copo muito menos meia bebida, oferece-me uma noite de alcoolismo, de loucura e sedução. Não me venhas com meios sorrisos nem meias gargalhadas. Acaba com os meus meios pensamentos sobre ti, pára de me perturbar o corpo com meios arrepios. Dá-mos inteiros. Não permito meios sustos, meios sonhos, meios ‘então está tudo bem’ nem meios ‘até amanhã’.

Não venhas mais por favor, se vieres com meios termos. Não venhas, não dês cabo de metade de mim. Vem com a coragem toda de me roubar um beijo inteiro, um pedaço inteiro de quem não sabes se queres e sentes, de quem sentes e não sabes se queres. Se vens só por metade, qual é o porquê de vires? Sou mulher de vida cheia, de tudo ou nada. Traz-me linhas escritas invulgares que me chamem à atenção mas convictas, porque meias expressões enviadas à pressa são incompletas. Não me venhas fazer sentir metade interessada nem estejas meio interessado. Não me incites meios termos, sou esquerda ou sou direita, frente ou trás, sou tudo ou nada, mas sou, nem que seja só agora. Promete-me outro encontro inteiro. Mas não me venhas com meias sensações. Pelo menos vem com uma amizade plena.

Vem cá por favor, se quiseres vir por inteiro. Não venhas mais por favor, se vieres com metades.

Não sei se queres vir.

Texto de Marta Raimundo

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