Aquilo que tu não dizes a ninguém, ninguém pode estragar - Já Foste

Aquilo que tu não dizes a ninguém, ninguém pode estragar

O silêncio é um amigo que nunca trai.

É normal querermos que os outros saibam das nossas conquistas pessoais e das nossas metas, uma vez que a alegria costuma ficar estampada nos nossos rostos. Existem momentos tão intensamente felizes na nossa vida, que mal cabemos em nós de tanto contentamento e acabamos por querer contar e espalhar o quanto estamos felizes.

No entanto, estaremos sempre rodeados de pessoas invejosas, maldosas e que não suportam ver alguém feliz, pois a felicidade é-lhes tão estranha, que não são capazes de entendê-la, a ponto de fazer de tudo para destruí-la.

Por mais que estejamos seguros e certos quanto às nossas convicções, existirão pessoas que tentarão diminuir-nos por meio de provocações constantes e de maledicências espalhadas ao nosso redor. São pessoas incapazes de torcerem pelo sucesso de alguém – nem mesmo pelo sucesso de si mesmas – e por isso não conseguem conviver com as conquistas alheias sem que as tentem arruinar, muitas vezes utilizando meios pouco éticos e covardes.

É inevitável por vezes disseminarmos pelas redes sociais o contentamento pelas nossas viagens, pelas nossas conquistas amorosas e profissionais, pelo sucesso dos nossos familiares, inclusive seria muito chato apenas postarmos lamúrias, indiretas venenosas e lamentações nos nossos perfis. No entanto, é necessário saber que muitos verão tudo isso como ostentação inútil, excesso de vaidade, ego elevado, ou seja, estaremos sujeitos a comentários desagradáveis sobre nós, muitos deles pelas nossas costas.

Sempre existirá, por outro lado, quem torcerá pela nossa felicidade, quem caminhará ao nosso lado sob sol ou tempestade, quem nos amará verdadeiramente, quem, enfim, será capaz de partilhar as suas vidas com as nossas com uma reciprocidade sincera. Por isso, uma das nossas maiores conquistas na vida será exatamente poder contar com pelo menos alguns poucos que nos admirem realmente. A esses, sim, poderemos desnudar-nos inteiramente, na nossa grandeza e na nossa pequenez mais inconfessável. Quanto aos demais, recomenda-se cautela.

Não precisamos estampar a nossa felicidade nas vitrines sociais e virtuais para que ela se complete. Aqueles que sempre estiveram ao nosso lado, bem de perto, lerão a felicidade nos nossos olhos e comemorarão de mãos dadas cada conquista nossa, cada degrau superado, e é por eles que valerá sempre a pena sobreviver com ética e dignidade a cada batalha que surja no nosso caminho.

Texto de Marcel Camargo

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